segunda-feira, 5 de maio de 2008

Nova série: Quer que eu conto?

Você tem um minuto?

Um minuto, um conto.

Os primeiros 30 segundos, meu querido professor Zá Guilherme que escreveu. O resto foi por minha conta mesmo.

Lá vai o primeiro da série de três!



Gasparina tinha 46 anos. Era virgem. Nunca quis deixar de ser virgem. Tinha orgulho de ser virgem. Propagava aos quatro ventos as virtudes de ser virgem. Nunca foi tocada por homem algum. Nada seria capaz de macular seu destino. Se Deus lhe trouxe à vida virgem, era para que se devolvesse virgem aos seus braços.
- Se virgem nasci, virgem cresci, virgem voltarei ao Senhor.
Rezava a cantilena às sobrinhas, todas as tardes-noite, hora da Ave-Maria. Em quem se espelhava, a quem invejava. E um bisturi acabou com a cantilena.
Dizem, que cansada de ouvir suas preces sem fundamento e impregnada de orgulho, a santinha para quem Gasparina rezava, Santa Virgínia, mandara uma maldição para a dona. Mas se é verdade ou não, ninguém pode saber.
O fato é que uma certa tarde após a missa, dona Gasparina pigarreou. Pigarreou um dia inteiro. Uma semana pigarreando. Até que o doutor do convento resolveu o caso.
- Vamos ter que passar o bisturi.
Se Gasparina ainda é virgem ou não, é outro mistério. O fato é que está muda e com um sorriso maroto no canto do lábio.


Atenção para o jabá!!!!
Vocês podem conferir mais contos pra quem não tem tempo no livro 30'' de José Guilherme Vereza. =]